As promessas do Cristo
Tendo ouvido
a palavra do Divino Mestre antes de se estabelecerem no mundo, as raças
adâmicas, nos seus grupos insulados, guardaram a reminiscência das promessas do
Cristo, que, por sua vez, as fortaleceu no seio das massas, enviando-lhes
periodicamente os seus missionários e mensageiros.
Eis por que
as epopeias do Evangelho foram previstas e cantadas alguns milênios antes da
vinda do Sublime Emissário.
Os enviados
do Infinito falaram, na China milenária, da celeste figura do Salvador, muitos
séculos antes do advento de Jesus. Os iniciados do Egito esperavam-no com as
suas profecias. Na Pérsia (atual Irã), idealizaram a sua trajetória,
antevendo-lhe os passos nos caminhos do porvir; na Índia védica, era conhecida
quase toda a historia evangélica, que o Sol dos milênios futuros iluminaria na
região escabrosa da Palestina, e o povo de Israel, durante muitos séculos,
cantou-lhe as gloria divinas, na exaltação do amor e da resignação, da piedade
e do martírio, através da palavra de seus profetas mais eminentes.
Uma secreta
intuição iluminava o espírito divinatório das massas populares.
Todos os
povos o esperavam em seu seio acolhedor; todos o queriam, localizando em seus
caminhos a sua expressão sublime e divinizada. Todavia, apesar de surgir um dia
no mundo, como alegria de todos os tristes e Providência de todos os
infortunados, à sombra do trono de Jessé, o filho de Deus em todas as
circunstancias seria o Verbo de luz e de amor do principio, cuja genealogia se
confunde na poeira dos sóis que rola no infinito. ²
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Entre as considerações acima e as do capitulo precedente, devemos ponderar o
interstício de muitos séculos. Aliás, no que se refere a historicidade das
raças adâmicas, será justo meditarmos atentamente no problema da fixação dos
caracteres raciais. Apresentando o meu pensamento humilde, procurei demonstrar
as largas experiências que os operários
do Invisível levaram a efeito, sobre os complexos celulares, chegando a dizer
da impossibilidade de qualquer cogitação mendelista nessa época da evolução
planetária. Aos prepostos de Jesus foi necessária grande soma de tempo, no
sentido de fixar o tipo humano.
Assim,
pois, referindo-nos ao degredo dos emigrantes da Capela, devemos esclarecer
que, nessa ocasião, já o primata hominis se encontrava arregimentado em tribos
numerosas. Depois de grandes experiências, foi que as migrações do Pamir se
espalharam pelo orbe, obedecendo a sagrados roteiros delineados nas Alturas.
Quanto
ao fato de se verificar a reencarnação dos Espíritos tão avançado em
conhecimentos, em corpos de raças primigênias, não deve causar repugnância ao
entendimento. Lembremo-nos de que um metal puro, como o ouro, por exemplo, não
se modifica pela circunstancia de se apresentar em vaso imundo, ou disforme.
Toda oportunidade de realização do bem é sagrada. Quanto ao mais, que fazer com
o trabalhador desatento que estraçalha no mal todos os instrumentos perfeitos
que lhe são confiados? Seu direto, aos aparelhos mais preciosos, sofrerá
solução de continuidade. A educação generosa e justa ordenará a localização de
seus esforços em maquinaria imperfeita, até que saiba valorizar as
preciosidades em amo. A todo tempo, a maquina deve estar de acordo com as
disposições do operário, para que o dever cumprido seja caminho aberto a
direitos novos.
Entre
as raças negra e amarela, bem como entre os grandes agrupamentos primitivos da
Lemúria, da Atlântida e de outras regiões que ficaram imprecisas no acervo de
conhecimentos dos povos, os exilados da Capela trabalharam proficuamente,
adquirindo a provisão de amor para suas consciências ressequidas. Como vemos,
não houve retrocesso, mas providencia justa de administração, segundo os
méritos de cada qual, no terreno do trabalho e do sofrimento para a redenção. (Nota de Emmanuel.)


